Parecer do Cade sobre cartel sai em 3
meses
Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006
Correio do Estado
O parecer do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) sobre o processo em que oito frigoríficos são
acusados por formação de cartel pode sair entre
dois e três meses. Esta é a expectativa do advogado
Onofre Carlos de Arruda Sampaio, do escritório Arruda Sampaio,
Freitas e Penteado, contratado pela Confederação
Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na ação
contra os frigoríficos.
Arruda Sampaio considerou rápido o trâmite da ação
na Secretaria de Direito Econômico (SDE), que pediu nesta
segunda-feira ao Cade a condenação dos frigoríficos.
O advogado diz que o processo deve ser distribuído entre
os conselheiros do Cade na reunião do próximo dia
30, que deverão eleger um relator para o processo. "Em
dois ou três meses, no máximo, devemos ter um resultado,
favorável ou não", afirma. Ele acredita que
há boas chances da decisão ser favorável
aos pecuaristas diante da contundência das provas apresentadas
à SDE.
Se condenados, a pena dos frigoríficos pode ser de até
30% do faturamento relativo ao ano anterior ao processo, no caso
2004. As 13 pessoas físicas acusadas no caso podem ser
condenadas a pagar de 10% a 50% do valor da multa aplicada às
empresas das quais são funcionárias.
A investigação da SDE contra os frigoríficos
começou em março de 2005, após uma denúncia
formalizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA) e da Comissão de Agricultura da Câmara.
Ambas alegaram que os frigoríficos teriam acordado entre
si condições para comprar gado bovino com desconto
no preço dos animais em uma reunião realizada dois
meses antes. A SDE pediu a condenação das seguintes
empresas: Indústria e Comércio de Carnes Minerva
Ltda; Frigorífico Mataboi S.A; Frigorífico Estrela
D´Oeste; Marfrig Frigoríficos e Comércio de
Alimentos; Friboi Ltda; Bertin Ltda; Frigol Comercial Ltda e a
Franco Fabril Alimentos Ltda.
Foi sugerido o arquivamento das denúncias contra três
frigoríficos, por falta de comprovação de
participação no suposto cartel. São eles:
Boifran; Tatuibi e Bom Charque.