Exportações de calçados de BH serão
reduzidas à metade
Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006
Superávit
Fonte: Couronews
As exportações do pólo calçadista
da capital mineira devem cair à metade este ano. Em 2005,
as vendas ao exterior somaram US$ 10 milhões, depois de
uma queda de 33% em relação a 2004. O maior vilão
do setor é a desvalorização do dólar
em relação ao real, que fez a indústria de
calçados perder competitividade no mercado internacional.
"Trata-se de uma perda lamentável porque, sem as exportações,
vai-se uma cartela de compradores habituais", lamenta o vice-presidente
da regional mineira da Associação Brasileira da
Indústria de Calçados (Abicalçados) e do
Sindicato da Indústria de Calçados de Minas Gerais
(Sindicalçados), Gilson Oliveira.
Aliás, as fábricas da Grande Belo Horizonte vêm
perdendo espaço também no mercado nacional, o que
obriga empresas a partirem para outros estados ou terceiriza suas
linhas de produção. A retração do
segmento nos últimos 10 anos é estimada em 20% a
30%, por causa do pífio crescimento econômico do
período, perda do poder aquisitivo da população
e redirecionamento dos gastos do consumidor, que tem despesas
com TV a cabo, internet e celular.
Na última década, uma sucessão de dificuldades
abalou o setor, levando por água abaixo nomes como Sílvia
Rabelo e Getúlio Calçados, enfraquecendo marcas
como San Marino, empurrando para fora das fronteiras estaduais
a Arezzo e levando fábricas como Luiza Barcelos a terceirizar
parte de sua produção no Rio Grande do Sul.
Se há um consenso entre os profissionais que atuam no
ramo é o de que só existe um caminho a seguir na
tentativa de manter o pólo belo-horizontino de calçados
ativo: a descoberta de nichos de mercado, aliada à aposta
cada vez maior na qualidade e no diferencial dos produtos, deixando
de lado a competição pelos preços mais baixos.
"Nossa indústria tem a característica principal
de ser um pólo de calçados de moda feminina e não
há lugar para que seja outra coisa", diz Gilson Oliveira,
que também é diretor-comercial da Spatifilus.
Segundo ele, a vocação do pólo calçadista
mineiro passa pela afirmação da moda e pela produção
de pequenos volumes, que fogem da massificação.
Para o proprietário da Arezzo, Jefferson Birman, o glamour
da indústria mineira de sapatos, que teve o seu auge na
década de 90, não existe mais, principalmente porque
os principais fabricantes de calçados de moda do país
migraram para o Rio Grande do Sul. "A característica
atual do segmento no estado é a existência de pequenos
fabricantes que continuam fazendo moda, mas com uma produção
limitada", explica. É o caso de nomes como Luiza Barcelos,
Paula Bahia e Elisa Atheniense, que sobrevivem no mercado explorando
o nicho diferenciado dos sapatos de qualidade com design mais
elaborado.