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Moodys vê setor bancário forte no Brasil





A agência internacional de classificação de risco Moodys sinaliza que vai mudar para "estáveis' as perspectivas do sistema bancário do Brasil, refletindo retorno à normalidade nas condições de crédito e a resistência demonstrada durante a crise financeira global.
A Moodys tinha atribuído no começo de 2009 perspectivas de crédito "negativas" para o sistema bancário na América Latina como um todo em meio à crise. Agora, em relatório sobre os bancos latino-americanos, avalia que melhoria das condições macroeconômicas, taxas de juros ainda baixas e o acesso a fundos mais diversificados ajudam a recuperação do crescimento do crédito e do investimento, resultando em mais lucros e melhor qualidade de ativos bancários em 2010.
A agência fez testes de estresse sobre desempenho dos bancos latino-americanos para medir sua capacidade de absorção de perdas de capital. O resultado levou a mudanças "muito modestas" no rating da capacidade financeira dos bancos. O desempenho dos bancos latinos é "substancialmente diferente" daquele de muitos sistemas bancários desenvolvidos, que sofreram rebaixamentos frequentes nos "ratings" nos últimos dois anos. Na média, o índice de capitalização dos bancos na América Latina é de 13%, acima do mínimo exigido de 8% pelo Acordo de Basileia.

Considera que, com a recuperação econômica, as perspectivas de crédito se estabilizam nos sistemas bancários, sobretudo no Brasil, Chile e Colômbia. Os bancos da Argentina, apesar da agitação interna, e do Peru já têm essa projeção. A perspectiva para o sistema bancário do México permanece negativa, por causa de problemas econômicos e condições de financiamento, mas os ratings individuais de bancos mexicanos continuam estáveis no geral.

Com relação ao Brasil, a projeção é de crescimento nos empréstimos, especialmente para as empresas, à medida que a economia se expande. Além disso, o papel maior do governo no sistema bancário deixa prever tanto expansão de crédito como de concorrência pesada. No cenário de maior 'dinamismo' do setor público neste ano eleitoral, a Moodys antecipa expansão "mais agressiva' dos bancos privados, ampliando sua cobertura geográfica e reforçando sua plataforma de negócios para atrair mais clientes.

As margens de lucro dos bancos continuam relativamente 'saudáveis' na América Latina, apesar da volatilidade dos mercados nos últimos dois anos. Mas a agência alerta que a concorrência entre bancos públicos e privados no Brasil pode derrubar as margens, exigindo que administradores dos bancos se foquem em medidas de eficiência.
Com novo apetite dos bancos em emprestar, a busca de fundos se torna também uma prioridade para os gestores das instituições financeiras. Isso é ainda mais verdadeiro no Brasil, onde os bancos levantaram quase US$ 3,5 bilhões somente em janeiro, comparado aos US$ 4,8 bilhões captados durante todo o ano de 2009, segundo a agência.
A Moodys aponta em todo caso risco no "boom de crédito" no Brasil. Alerta que a rapidez no crescimento do portfólio pode pressionar o "colchão de capital' dos bancos e causar deterioração na qualidade dos ativos. E que, à medida que os bancos defendem suas fatias de mercado e declina a percepção de risco, os bancos poderiam ser tentados a afrouxar seus padrões de "underwriting'.

Os problemas de calote de crédito aumentaram 'substancialmente' na América Latina, mas ainda estão em níveis "administráveis", com média de 4% do total emprestado - quase três vezes mais que a taxa de 1,6% na China. Já o risco de bolhas de crédito está no 'radar' da Moodys em toda a América Latina, diante do "entusiasmo' de investidores pela região. Mas essa é uma inquietação para o médio prazo. A agência nota que os níveis de endividamento dos consumidores permanece baixo na região, de menos de 20% da renda das famílias e em porcentagem do PIB. A baixa taxa de intermediação explica a expansão forte dos financiamentos na região.


03/03/2010

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