Importação da China sobe 85% em janeiro e exportação, 21%
Somente as exportações do Brasil para o país asiático cresceram 60,3%
As exportações da China cresceram 21% em janeiro, enquanto as importações deram um salto de 85,5%, graças ao aumento da demanda do país e à elevação dos preços das commodities no mercado internacional.
A forte alta das importações também foi influenciada pelo fato de que em 2008 o feriado do ano novo chinês caiu no mês de janeiro, o que reduziu as operações naquele período. Ainda assim, o resultado ficou acima do que previam grande parte dos analistas e bancos de investimentos e é um indício de que a recuperação chinesa está estimulando a atividade econômica em outras regiões.
As exportações do Brasil para o país asiático, por exemplo, tiveram alta de 60,3% no mês passado, para US$ 1,1 bilhão, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A expansão foi provocada pelos maiores embarques de petróleo, cobre, aviões, plásticos, produtos siderúrgicos, carnes, couros e peles.
Depois de 13 meses de queda, as exportações chinesas registraram a primeira alta em dezembro, de 17,7%. No ano, os embarques caíram 16%, para US$ 1,2 trilhão, valor suficiente para colocar o país asiático no primeiro lugar entre os maiores exportadores do mundo.
O crescimento de 21% de janeiro deverá fortalecer a pressão internacional para que a China valorize sua moeda, o yuan, em relação ao dólar. A cotação está estacionada em 6,83 yuans por dólar desde meados de 2008, quando os exportadores chineses começaram a enfrentar dificuldades em razão da alta de custos internos e do início da retração da demanda internacional.
A maioria dos analistas prevê que Pequim irá retomar a trajetória de valorização da moeda neste ano, mas poucos acreditam que isso ocorrerá antes do segundo trimestre. Ainda assim, nenhum deles espera uma valorização superior a 6% no ano.
Pequim tem a seu favor o argumento de que seu superávit comercial com o restante do mundo está encolhendo e ficou no mês passado em US$ 14,2 bilhões, cerca de um terço dos US$ 39,1 bilhões registrados em igual período de 2009.
A economia chinesa cresceu 10,7% no último trimestre de 2009 e fechou o ano com expansão de 8,7%, graças ao massivo pacote de estímulo anunciado pelo governo em novembro de 2008, menos de dois meses depois da explosão da crise financeira global.
Os recursos do estímulo foram injetados na economia por meio de empréstimos bancários, que tiveram alta de US$ 1,4 trilhão em 2009, valor que representa cerca de um terço do PIB do país.
A expansão do dinheiro em circulação na economia provocou temores de alta da inflação, que foi de 0,6% em novembro e 1,9% no mês seguinte. Anteontem, o presidente do Banco do Povo da China, Zhou Xiaochuan, afirmou que a alta de preços ainda está em patamar baixo.
Fonte-O Estado de S.Paulo
11/02/2010