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CORTADOR DE CINTO, CARTEIRA, BOLSA, MALETA, PASTA E MARROQUINARIA

MATERIAIS - Introdução

O couro é considerado o material mais nobre para a confecção de cinto, carteira, bolsa, maleta, pasta e marroquinaria. Entretanto, além de ser de custo alto, a tendência da moda e as exigências práticas da vida concorreram para o desenvolvimento tecnológico na área de outros materiais de mais fácil acesso e aquisição. Assim, ampliou-se consideravelmente o mercado de materiais diversos: sintéticos e naturais, adequados a cinto, carteira, bolsa, maleta, pasta e marroquinaria.

Também alcançou grande projeção no mercado o couro sintético, misto de couro, resinas e outros produtos.

De qualquer forma, o couro não perdeu sua posição de material nobre sendo requisitado para a confecção de cinto, carteira, maleta, pasta e marroquinaria no mundo inteiro.

COURO

Depois de curtido, o couro é usado na fabricação de calçados, bolsas, carteiras, cintos, malas, chapéus, revestimento de móveis, etc.

O couro bovino é o mais empregado. Entretanto, tem crescido a procura de couros suíno, caprino, ovinos e de outras espécies de animais como o jacaré, cobra e atualmente, de rã e peixe.

O couro bovino compõe-se duas partes importantes: a flor e a carnal.

A flor é a parte externa do couro que, antes do uso, é submetida a tratamentos especiais.

A parte carnal é a parte interna, fibrosa. Às vezes recebe tratamento para substituir a flor.

O couro é considerado de boa qualidade quando apresenta fibras consistentes, elasticidade, boa aparência e facilidade de manipulação.

Pode-se classificar o couro em partes principais e secundárias, cada qual adequada à confecção das peças que vão compor o produto.

A divisão tradicional é a que segue:

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1. Culatra ou Lombo

2. Espádua

3. Pescoço ou cabeça

4. Garras

5. Barriga

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No animal, esta divisão do couro é a seguinte:

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As regiões podem ser destacadas, conforme a ilustração a seguir:

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Quanto ao sentido de elasticidade das fibras, segue ilustração do couro inteiro e dividido ao meio.

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DEFEITOS MAIS COMUNS DO COURO

Berne

São furos encontrados no couro, causados pelo inseto "berne". Em peles envernizadas ou prensadas, deve ser feita uma verificação pelo carnal, pois o defeito normalmente não é visível por ser coberto pelo verniz ou pelo deslocamento do material próximo ao furo.

Carrapato

São marcas feitas pelo inseto "carrapato" e aparecem nos couros que não têm a flor lixada.

Cortes de Esfola

São cortes que aparecem no couro, às vezes não o transpassando, causados por faca, quanto da retirada do couro do animal abatido.

Marcas de Fogo

São defeitos causados pelas marcas de identificação do animal, que causam grande prejuízo nos couros.

Riscos

São defeitos causados normalmente por chicote, arame farpado ou mirão e que aparecem na flor do couro.

Veias

São as artérias do animal, que por problemas de estrutura se alargam e ficam perto da flor, aparecendo após o curtimento.

OBSERVAÇÕES

Podem aparecer outros tipos de defeitos menos comuns, geralmente de fabricação.

Todos os defeitos descritos devem ser evitados quando colocamos os modelos para cortar.

MOLDES DE CORTE

Para facilitar e tornar mais rápido o corte das peças componentes de cinto, carteira, bolsa, pasta e marroquinaria, etc. são usados moldes.

Os moldes representam cada uma das partes de um modelo do produto. Portanto, há vários conjuntos de moldes de acordo com a quantidade de modelos.

Os moldes podem ser de papelão, chapas galvanizadas ou de aço. Os de papelão são mais apropriados a cortes manuais. Suas bordas são revestidas com filete metálico para oferecerem segurança ao cortador, durabilidade ao molde e boa qualidade ao corte. Periodicamente, este tipo de molde deve ser substituído porque devido ao uso ele acaba apresentando deformações.

O molde de aço é próprio para cortes mecânicos. Consta de uma fita de aço, moldada conforme o contorno das peças do modelo. Suas bordas são afiadas, em um ou nos dois lados. Ao receberem o impacto de uma prensa, conhecida como balancim, efetua-se o corte da peça. A peça deve ser colocada sobre uma superfície rígida, denominada cepo que seja forte o suficiente para resistir ao impacto do corte.

O molde de aço apresenta vantagem em relação ao molde de papelão. Porque as peças cortadas mecanicamente apresentam corte mais exato proporcionando perfeita semelhança entre peças cortadas e moldes.

Entretanto, os moldes de aço são de custo alto sendo empregados quando se visa atingir elevada produtividade de um mesmo modelo.

Os moldes devem ser guardados em local seco, protegidos do calor para não sofrerem empenamento. Os moldes de aço não devem ser empilhados pois o choque deles entre si pode danificar o corte, os moldes de chapa galvanizada.

APROVEITAMENTO RACIONAL DO MATERIAL

As peças naturais, como o couro, são assimétricas exigindo muita astúcia e habilidade do cortador no sentido de posicionar bem os moldes para aproveitar, o melhor possível, o material a ser cortado.

Os moldes devem ficar unidos, o mais possível, para evitar espaços que resultem em perda de material.

Para identificar o melhor posicionamento dos moldes deve-se girá-los ou virá-los em posições diversas até encontrar a disposição ideal.

Também, para evitar desperdícios de material, o corte deve ser feito rente aos moldes, com movimentos firmes da faca, se for o caso de corte manual. Um bom cortador não ultrapassa os limites dos moldes, o que requer atenção e habilidade.

O corte deve obedecer a uma ordem decrescente, começando-se o corte dos moldes maiores e em maior quantidade, até chegar aos menores.

Em síntese, a boa qualidade do corte depende de conhecimentos e do domínio das técnicas de corte. Seja em bolsas finas ou mais grosseiras, o corte deve ser sempre de boa qualidade porque ela vai influir na aparência e na estrutura do produto.

O corte a fio, necessário em todas as peças, exige firmeza e equilíbrio no uso do gume da faca.

agulha.jpg (8998 bytes) Corte a Fio

Outro aspecto a ser observado no processo do corte, refere-se à marcação. Ela deve ser bem feita e legível. Marcam-se as peças cortadas com números anotados em locais corretos. Depois conferem-se as quantidades das peças para verificar se elas correspondem exatamente à quantidade solicitada na ordem de produção.

ORDEM DE PRODUÇÃO

A ordem de produção consta de uma ficha contendo orientações para as operações a serem executadas.

Estas orientações referem-se ao modelo, material, cor, forro, referência e quantidade a serem cortados. Inclui, ainda, solicitações: quantidade de material previsto para uso e a que foi realmente consumida; nomes dos operadores envolvidos nas diversas etapas de fabricação, tempo previsto e efetivamente despendido na realização das tarefas.

FERRAMENTAS

As principais ferramentas de corte são: faca de cortador, lima e pedra de afiar.

Faca de Corte

Usada, principalmente, para cortar peças de couro, sintético e similar. Compõe-se de suporte (cabo) e lâmina.

Suporte

Podemos usar três tipos de suporte, a saber:

a) Suporte de Arame

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O suporte sustenta a lâmina; protege e facilita a pegada da faca pelo cortador.

Os tipos de suporte mais usados são de arame ou de couro. Os de arame são feitos em aço cilíndrico, moldados de forma que numa de suas extremidades seja introduzida uma lâmina e na outra extremidade se forme uma punção, usado para marcar pontos do modelo e retirar rebarbas.

b) Suporte de Cano

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O suporte de cano consta de um tubo de aço ou alumínio com, aproximadamente, 15cm de comprimento. Uma das extremidades é achatada e cortada transversalmente sendo que nela se encaixa a lâmina. Uma vareta de aço com ponta em forma de cunha é introduzida no tubo para prender a lâmina. Outra vareta, na extremidade oposta, serve para marcar o ponto do modelo a retirar rebarbas.

c) Suporte de Capa

É uma chapa de latão que reveste a lâmina para lhe dar firmeza e proteger a mão do operador (fig. 4).

Lâmina

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A lâmina, parte cortante da faca, é o aço temperado. É flexível, de forma chata, medindo 5 a 8 mm de largura e 0,35 a 0,50 mm de espessura.

A lâmina é presa ao suporte, geralmente, utiliza-se lâmina de serra manual de mola de relógio.

Pedra de Afiar

Também utilizada para fiar o gume da faca, retirar rebarbas deixadas pela lima e corrigir o fio de corte.

A pedra de afiar pode ser de duas faces, uma de carborundum de grana grossa e outra de grana fina.

Sua conservação implica umedecê-la diariamente em água ou óleo. Deve ser lixada quando apresentar área irregular.

EQUIPAMENTOS TECNOLOGIA

Balancim

A principal função do balancim é cortar peças que exigem maior exatidão e produtividade. O corte nestas máquinas é feito através do molde de aço sobre um cepo (madeira, borracha, plástico ou metal).

Balancim Hidráulico

O balancim hidráulico é acionado por pressão a óleo, além de ser econômico, é de fácil manejo.

O material a ser cortado é colocado sobre o cepo, fixado a mesa da máquina. Ao acionar a máquina, o cabeçote prensa o molde de aço sobre o material, cortando-o.

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Balancim Eletrônico

Neste tipo de balancim, a válvula de comando de óleo não estabelece um curto certo para o cabeçote, sendo comandada eletronicamente, abrindo-se e fazendo o cabeçote voltar ao seu lugar sempre que houver contato entre o cabeçote e o cepo, sendo este metálico.

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Mesa de Corte

Trata-se de mesa a ser usada para corte manual. Apoia-se o material, a ser cortado, na sua superfície. Após posicionamento dos moldes sobre o material faz-se o corte com a faca de cortador.

A mesa pode ter tampo fixo ou móvel e, neste caso, permite regulagem para adequar-se à altura do operador.

O tampo é protegido por uma chapa de zinco, vidro ou borracha, que facilita o corte das peças.

Uma abertura no tampo da mesa permite o escoamento de retalhos do material cortado.

Duas gavetas servem de depósito de peças cortadas.

Um pedaço de madeira, fixado na lateral da mesa, serve para o preparo do corte da faca.

OPERAÇÕES

Preparar Corte da Faca

Introdução

O preparo consiste em desbastar e afiar a lâmina da faca.

Processo de Execução

1. Corte a mola.

Observação

Cortar um pedaço de lâmina de serra ou mola com 13cm de comprimento, aproximadamente. Usar a quina da lima como auxílio.

2. Coloque a lâmina no suporte deixando uma ponta de 3 cm para fora.

3. Desbaste a lâmina.

Observações

Com o polegar, curvar a ponta da lâmina, no lado oposto ao do corte.

Limar a lâmina no sentido de avanço, com movimentos curtos e firmes. Ter cuidado para não atingir o suporte.

Após o desbaste, fazer uma ponta no corte para facilitar a penetração no material.

4. Afie o corte.

Precaução

Cuidado para não ferir as mãos

Cortar e Riscar Peças

Introdução

Nesta operação, recorta-se o material sob o molde, marcam-se os pontos e riscam-se as canaletas. Desta forma, ficam assinalados os locais a serem costurados ou colados. Esta operação antecede a costura.

Caso I - Cortar e riscar manualmente

Processo de Execução

1. Selecione os modelos de acordo com a ordem de produção.

2. Estenda os moldes sobre o couro sobre a mesa e inicie o corte pela culatra.

Observações

Começar o corte dos moldes de tamanho e números maiores, intercalando os menores para melhor aproveitamento do material.

Observar o sentido da elasticidade do couro em relação ao posicionamento dos moldes, encobrindo áreas com defeitos.

Apoiar as pontas dos dedos sobre o molde e pressioná-lo sobre o material.

3. Corte todo o contorno do molde sem ultrapassar seus limites.

Precaução

Não apoiar os dedos fora da área do molde para não feri-los com a faca.

4. Risque as canaletas e marque os pontos.

Observação:

Pegar o riscador sem deixar a faca.

5. Confira as peças para verificar se a quantia está correta.

6. Numere as peças.

Observações

Identificar todas as peças com os respectivos números dos moldes. Usar caneta, lápis ou giz de cera.

Numerar em locais que não apareçam no produto pronto. Fazer números legíveis.

7. Amarre as peças, em pilhas, firmemente.

Caso II - Cortar e riscar mecanicamente

Processo de Execução

1. Selecione os moldes de acordo com a ordem de produção.

2. Regule a máquina.

3. Estenda a vaqueta com os moldes sobre o cepo e comece o corte pela culatra.

Observações

Seguir os mesmos procedimentos descritos no Caso I.

4. Acione o balancim e corte as peças.

Precaução

Usar sempre as duas mãos e para acionar o balancim a fim de evitar acidentes.

5. Confira as peças para verificar se a quantia está correta.

6. Junte as peças em pilhas e amarre-as firmemente.