| Brasil
perde 2,2 bilhões de dólares e poderia gerar 200 mil
novos empregos a partir do melhor aproveitamento do couro.
Couro de boa qualidade
O couro ainda é visto na cadeia da pecuária de corte
como um subproduto do boi. Mas, se bem aproveitado, geraria uma
riqueza ao Brasil de cerca de 2,2 bilhões de dólares
e mais de 200 mil novos empregos. Arregaçar as mangas e despertar
para essa realidade é um compromisso de todos os setores
da cadeia produtiva do couro: fazendeiros, frigoríficos,
curtumes, indústrias e governo. A opinião é
do pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Alberto Gomes, da área
de sanidade animal, que vem se dedicando a discutir com o setor
agropecuário as vantagens da valorização do
couro para o Brasil.
Cuidados
na Fazenda - 60% dos defeitos no couro ocorrem na propriedade
rural. Destes, 10% por causa de marcação errada do
gado, o restante com manejo inadequado, falta de controle de parasitoses,
entre outras razões. O local mais adequado para a marcação
do gado é na articulação da coxa com a perna,
mas, também, pode ser marcado na articulação
da paleta com a canela ou na fronte. Por não receber o pagamento
do couro diferenciadamente (é taxado em 7,5% sobre a arroba,
independentemente da sua qualidade), muitos produtores marcam o
gado em áreas nobres. Os outros 40% de defeitos no couro
acontecem no transporte do animal (com pregos e parafusos expostos)
e por salga e esfolagem mal feitas.
Gerador de riquezas - Só o Mato Grosso do Sul produz
15 mil couros por dia e, destes, apenas 8 mil são beneficiados
aqui como matéria-prima (Wet Blue). Ainda assim, esse tipo
de couro vale apenas 26% do chamado couro acabado, de alta qualidade,
empregado nas indústrias de estofamento de carros e móveis,
de calçados, de roupas e farmacêutica. Os outros 7
mil são enviados para São Paulo, Paraná e Minas
Gerais na forma "in natura", salgado ou refrigerado, de
baixa qualidade industrial. "Apesar do Mato Grosso do Sul ter
o maior rebanho bovino de corte do Brasil (em torno de 23 milhões
de cabeças), não há nenhum curtume no Estado
especializado em acabamento de couro", adverte o pesquisador
da Embrapa. Segundo Alberto Gomes, comparado com os Estados Unidos,
o Brasil perde 500 milhões de dólares por ano. Lá,
85% do couro produzido é de primeira qualidade. Aqui, apenas
8,5%, atende aos padrões internacionais. Para ilustrar o
prejuízo brasileiro, Arnaldo Gomes cita um dado: a China
e a Itália exportam 6 bilhões de dólares em
artefatos de couro e boa parte da matéria-prima desses produtos
sai do Brasil. No MS, não há curtumes especializados
em
beneficiamento do couro
Utilidades
"A valorização do couro como gerador de divisas
e no combate aos problemas sociais, fome e desemprego, é
urgente", afirma Arnaldo Gomes. "Faço minhas as
indagações do industrial gaúcho e P.H.D. em
couro, Heitor Silveira: se a fome mundial continua crescente, por
que não podemos utilizar uma proteína tão rica
como a do couro na produção de alimentos?" Gomes
lembra que 70% do couro acabado é direcionado para a produção
de calçados, roupas e artigos "de luxo". A proteína
do couro ainda poderia ser melhor utilizada na alimentação
(gelatina, sorvete, bolos, embutidos etc) e na indústria
farmacêutica (cápsula de remédios, filmes de
raio-X). O lodo que resulta do beneficiamento inicial do couro,
resíduo líquido rico em cal e nitrogênio, também
pode se transformar em importante adubo para a agropecuária.
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