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Equipe econômica comemora morte da inflação no Brasil


Correio do Estado

O velho dragão da inflação está morto. O veredicto foi reforçado na semana passada, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo Governo em seu sistema de metas. Em agosto, a inflação foi de 0,05%, acumulando 1,78% no ano. A avaliação unânime dos analistas é que a inflação de 2006 ficará abaixo da meta de 4,5%. Melhor: deve ficar na casa dos 3% a 4% pelo menos até 2010. Com isso, abre-se espaço para seguir com o corte de juros e, assim, animar a economia real, afrouxando uma das amarras ao crescimento econômico.

"A inflação está morta. Não vou falar sobre cadáveres", diz o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de Almeida. "A inflação foi derrotada definitivamente", concorda o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria. Ele acha que o monstro respira por aparelhos, mas dessa vez não escapa.

Há, porém, controvérsias quanto às chances de recuperação da inflação. O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), Paulo Picchetti, acha que há muito a comemorar, mas é cedo para dizer que o Brasil está livre do problema.

Ele alerta que, se a economia internacional entrar em crise, a inflação poderá voltar. E não é possibilidade distante. O Fundo Monetário Internacional (FMI), em documento a ser divulgado nesta semana, deve dizer que as chances de desaceleração no crescimento mundial são mais fortes hoje que em qualquer outro momento desde os ataques terroristas de 2001.

Para o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, a inflação está apenas morna, mas goza de boa saúde. Ele acha que o próprio Governo a mantém viva quando permite o aumento das despesas públicas. "A inflação se alimenta de desequilíbrios macroeconômicos e esse é um deles".

Ninguém discorda, porém, que a inflação está controlada como há décadas não se via no Brasil. Picchetti explica que a queda neste ano foi ajudada por uma série de fatores, principalmente o dólar barato, que reduziu os custos da importação. Ao mesmo tempo, produtores agrícolas viram pouca vantagem em exportar e, não tendo condições financeiras de manter estoques, despejaram a produção no mercado interno, baixando ainda mais os preços dos alimentos. A inflação despencou.

O dólar barato teve ainda outro efeito: ajudou a baixar os preços no atacado, onde se concentram as importações. O atacado, por sua vez, influencia o Índice Geral de Preços (IGP), usado para corrigir as tarifas de eletricidade e telefonia, por exemplo. Resultado: em 2005 e 2006 os preços públicos tiveram até reajuste negativo, como foi o caso da energia elétrica em alguns Estados.

O fenômeno que ocorreu com o IGP e os preços públicos inverteu o giro da espiral inflacionária, segundo Picchetti. Até dois anos atrás, o IGP fazia subir as tarifas, que faziam subir a inflação e assim havia um ciclo que puxava tudo para cima. Agora, o IGP caiu, as tarifas caíram, a inflação foi para baixo e assim sucessivamente.

Inércia

Quebrou-se o que os economistas chamam de inércia inflacionária, um conjunto de mecanismos e regras que ajudam a inflação a se perpetuar. Esse é o fenômeno para o qual o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, chamou atenção na entrevista que deu à Agência Estado no fim de agosto. Ele disse que o País vive momento inédito, de romper com a inércia inflacionária, abrindo a perspectiva de estabilidade de preços por um longo período. Manter a inflação "consistentemente dentro da meta" por muito tempo, é, na avaliação de Meirelles, a única forma de baixar a taxa de juros até os níveis de países mais desenvolvidos.

É, porém, um fenômeno que ainda precisa amadurecer. Na última sexta-feira (8), o BC divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando o juro caiu para 14,25%, um corte de 0,5 ponto porcentual. No documento, os diretores do BC informam que foi analisada a possibilidade de cortar o juro em apenas 0,25 ponto, mas optou-se por 0,5 porque os dados mais recentes da economia eram favoráveis.

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