Chineses destacam divergência européia sobre tarifas
A imprensa oficial chinesa ressaltou
hoje a divisão entre os 25 países da União
Européia (UE) diante da possível imposição,
em um mês, de tarifas fixas de 16,5% para os sapatos de
couro importados da China e 10% para os do Vietnã.
A emissora de televisão oficial
CCTV destacou que a proposta da Comissão Européia
contra o suposto "dumping" (venda abaixo do preço
de produção) dos dois países tem que conciliar,
para ser aprovada, interesses muito divergentes. A mesma iniciativa
já foi rejeitada em julho por falta de consenso, lembrou.
A UE começou a aplicar em abril
tarifas provisórias para os sapatos da China e Vietnã.
Mas o prazo de aplicação expira no dia 6 de outubro.
Se não houver acordo antes, as importações
estarão livres de encargos a partir de 7 de outubro.
Os países com indústria
produtora de calçados, como Espanha, Itália e Portugal,
são os mais interessados em estabelecer uma tarifa fixa.
Mas Alemanha e Reino Unido se opõem, porque consideram
que a medida prejudica suas empresas distribuidoras.
Segundo o Executivo da UE, China e
Vietnã praticam "dumping", comprovado pelas "claras
evidências" de intervenção estatal na
produção, com subsídios ocultos, créditos
a taxas abaixo dos juros de mercado, avaliação de
ativos inadequada e moratórias fiscais. Por isso, os fabricantes
locais podem exportar seus produtos por 50 a 80% do valor real,
prejudicando os concorrentes europeus. "Os países
da UE estão profundamente divididos. Alguns se opõem
abertamente às tarifas. Não será fácil
aprovar a prorrogação por maioria simples",
diz a agência "Xinhua".
Os países da UE compraram 1,25
bilhão de pares de sapatos da China em 2005. O número
equivale a 50% do mercado comunitário no ano. As importações
de sapatos de couro (35% do mercado europeu) procedentes da China
registraram um espetacular aumento nos últimos anos: 1.000%
em relação a 2001 e 450% em relação
a 2004.
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