Brasil pressiona China através de processos
DCI
O governo brasileiro publicou, na última
sexta-feira, a abertura de processos antidumping contra a China,
em segmentos como alto-falantes, óculos e escovas de
cabelo. Somados, os setores representam uma cifra de quase US$
50 milhões nos negócios entre os dois países.
A intenção, segundo especialistas, é pressionar
os chineses a reabrirem negociações de salvaguardas
em algumas áreas econômicas.
Para o presidente da Associação de Empresas Brasileiras
para Integração de Mercados (Adebim), Michel Alaby,
quando a China aderiu a Organização Mundial do
Comércio (OMC) se sujeitou às leis do órgão.
“A partir disso, os processos de antidumping são
normais. Claro que o ideal é primeiro negociar direta
e amistosamente com o país, a fim de evitar possíveis
retaliações”, afirma o executivo.
Além disso, segundo Alaby, a decisão brasileira
em publicar a abertura dos processos antidumping pode ser uma
resposta aos chineses em relação a negativa do
país asiático em negociar salvaguardas para outros
setores. “Mais do que uma resposta, a publicação
oficial sobre a abertura de processos antidumping pode ser uma
forma de pressionar a China e acelerar novas negociações
de salvaguardas nos setores envolvidos ou em outros”,
explica o presidente da Adebim.
Recentemente, o setor de fabricantes de brinquedos e exportadores
da China assinaram um acordo que prevê a manutenção
chinesa no Brasil, tendo como ano-base 2005. Esperava-se, na
ocasião, que a medida estimulasse novos acordos, substituindo
a aplicação de salvaguardas e antidumping.
De qualquer forma, Alaby lembra que abrir processos antidumping
não significa comprovação dos mesmos. “Tudo
ainda será investigado, processo que demora, pelo menos,
seis meses”. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior do Brasil, diz não poder revelar
quais novos processos contra a China estão sendo analisados
pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom) do órgão.
Desde o início deste ano, outros três processos
antidumping foram abertos. O Decom também está
investigando os pedidos de restrição para as exportações
chinesas ao Brasil para ferros elétricos de passar, solicitado
pela Black & Decker do Brasil e Philips do Brasil. Chapas
pré-sensibilizadas de alumínio vindas da China
(e também dos Estados Unidos) ao Brasil estão
sofrendo análise são e os peticionários
são a Indústria Brasileira de Filmes (IBF) e AGFA
- Gevaert do Brasil.